Campo Grande, 8 de novembro de 2026

Temor de militares de alta patente e entorno de Bolsonaro, agora, é com eventual delação de generais

São Paulo

Após a conclusão das investigações da Polícia Federal (PF) sobre a tentativa de golpe para manter ilegalmente Jair Bolsonaro (PL) no poder, o temor no entorno do presidente e entre militares de alta patente é que mais militares decidam se tornar colaboradores.

Entre os nomes que mais preocupam estão os dos generais Mário Fernandes, ex-secretário-executivo da Secretaria Geral da Presidência e um dos principais artífices dos planos, segundo a PF; e Estevam Teophilo, comandante que se dispôs a colocar suas tropas na rua para apoiar o golpe e que fazia parte do Alto Comando do Exército até 2023, já sob governo Lula.

Mário Fernandes em selfies em acampamentos golpistas. — Foto: Reprodução/JN

Mário Fernandes em selfies em acampamentos golpistas. — Foto: Reprodução/JN

Fontes ouvidas pelo blog lembram que a PF, que fechou o acordo de delação com Mauro Cid, revelado pelo blog em setembro de 2023, concluiu o inquérito do golpe. E afirmam desconhecer qualquer indicativo de nova delação.

Nada impede, entretanto, que os investigados decidam buscar a PGR para tentar colaborar e, assim, reduzir eventuais penas se vierem a ser condenados.

Os 37 investigados foram indiciados por tentativa de abolição do estado democrático de direito, tentativa de golpe de estado e organização criminosa – crimes que, sem contar eventuais agravantes ou atenuantes, têm penas que somam quase 30 anos de prisão.

Para fontes ouvidas pelo blog, essa perspectiva, a pressão familiar e o fato de Cid – braço direito do ex-presidente ao longo de todo o mandato e um de seus mais fiéis seguidores – ter fechado a delação que colaborou para que todos fossem indiciados, servem de estímulo para outros investigados tentarem colaborar.

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