Time sofre com estratégia errada, não compete e é dominado pelo São Paulo
Por Bruno Cassucci — São Paulo
Elenco com carências, falta de dinheiro, crise política. Há muitas questões que afetam o Corinthians que não podem ser solucionadas pelo técnico Dorival Júnior e pelos jogadores. Porém, se já não bastassem estes problemas, comissão técnica e elenco ainda criaram obstáculos para si próprios no clássico contra o São Paulo.
Após a derrota por 2 a 0 no Morumbis, na noite deste sábado, Dorival disse que faltou energia para o time encurtar espaços do rival e competir no primeiro tempo. Mas o que ele esperava ao levar ao clássico com um meio de campo formado por Breno Bidon, André Carrillo e Rodrigo Garro? Dava para confiar que Félix Torres entregaria algo muito diferente como lateral-direito?
A questão vai além das peças. O Corinthians não conseguiu encaixar a marcação na saída de bola. Quando tentava avançar seus homens de frente para pressionar os três zagueiros do São Paulo, era facilmente batido e, então, acontecia um efeito dominó. O rival gerava superioridade numérica de jogadores no meio de campo (cinco contra três ou cinco contra quatro), conseguia envolver com tabelas pelos lados e controlava o jogo.
Sim, os jogadores deveriam competir mais, “morder” sem a bola, não deixar o adversário respirar. Porém, a questão não é apenas de entrega, como Dorival interpretou, mas também tática.
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Dorival Júnior em São Paulo x Corinthians — Foto: Marcos Ribolli
O camisa 10 holandês deixou a desejar em intensidade? Sim, mas não a ponto de justificar sua saída. Foi de Memphis a principal jogada do Corinthians no primeiro tempo, com um passe na medida para Romero, que parou no goleiro Rafael. Ele também esteve envolvido em tabela com Garro, em jogada que terminou com chute perigoso de Matheus Bidu.
Com Héctor Hernández, Kayke Ferrari, Kauê Furquim e outros reservas pouco empolgantes à disposição, fazia sentido o técnico tirar um de seus melhores talentos individuais?
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Memphis em São Paulo x Corinthians — Foto: Ettore Chiereguini/AGIF
Mais incompreensível ainda é a autossabotagem de Memphis Depay, que achou de bom tom nem sequer ficar no banco de reservas no segundo tempo. O que o camisa 10 pretende com atitudes como essa ou com a de dias atrás, quando faltou em um treino?
O Corinthians seguiu apático no segundo tempo e só não foi mais amassado porque o rival diminuiu o ritmo na parte final do clássico.
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Félix Torres e José Martínez no banco de reservas do Corinthians; Memphis não apareceu — Foto: Marcos Ribolli
A dez dias do primeiro clássico contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil, o Corinthians parece desnorteado e vê a pressão aumentar. Pra piorar, tem nada menos do que o líder Cruzeiro e o Botafogo, fora de casa, pela frente. Se não reagir rapidamente, será engolido por nova crise





