Atacante aponta semelhanças entre posicionamento dele no Manchester United e na equipe de Ancelotti e relembra dificuldades atravessadas até realizar sonho de disputar um Mundial
Por Bruno Cassucci, Cahê Mota e Raphael Zarko — Teresópolis, RJ
Matheus Cunha será o camisa 9 do Brasil na Copa do Mundo? Neymar pediu aos companheiros para vestir a 10? Tais perguntas podem até ser feitas pelo público e pela imprensa às vésperas do Mundial, mas são tratadas como irrelevantes para o atacante do Manchester United neste momento.
Convocado para a sua primeira Copa do Mundo, aos 27 anos, Matheus Cunha concedeu entrevista coletiva nesta sexta-feira e minimizou o tema:
– Assunto de número é muito irrelevante onde nós chegamos. É muito gratificante vestir essa camisa e realizar nossos sonhos. Eu fico batendo nessa tecla, mas é muito verdade. Pouco importa o número que você está usando. A gente viu a reação dele por voltar, alguém tão grande e demonstrar todo esse orgulho de estar de volta. A questão de números fica totalmente fora do nosso alcance – afirmou.
A CBF planeja divulgar a numeração do Brasil na Copa neste sábado ou no domingo, dia do amistoso contra o Panamá, no Maracanã. A partida acontece às 18h30.
Cunha larga em vantagem para ser titular no comando do ataque do Brasil. Com característica de se movimentar bastante e sair da área para ajudar na criação, o jogador apontou semelhança na forma que vem sendo escalado na Seleção e no Manchester United.
– Nesse meu segundo ciclo de Seleção está muito mais parecido do que eu jogo no clube. Com muito mais flutuações entrelinhas, em muitos momento jogando propriamente como uma meia e sem dúvida nenhuma (existe relação entre o que faz no Manchester United). Muito feliz com tudo que vem acontecendo comigo, em um clube que sempre quis jogar. Meu primeiro ano, de volta a Champions, à competições que o clube tem que estar todo ano, e agora chegando na seleção brasileira. Espero que seja tudo bem-sucedido como foi lá e que eu possar dar meu melhor dentro dessas funções que estou mais habituado a fazer – analisou.
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Matheus Cunha, em entrevista coletiva pela Seleção na Granja Comary — Foto: Cahê Mota
O jogador chegou a fazer parte da Seleção no último ciclo de Copa, mas acabou ficando fora da convocação final para o Mundial no Catar. Agora, celebra aquele que considera ser o melhor momento da carreira.
De quebra, se apresentou na Granja Comary no dia de seu aniversário:
– O futebol assim como na vida faz parte passar por momento de dificuldade e superar. Depois de tudo que passei, ter meu nome na lista… Chegar no dia do meu aniversário, vamos ver, né, acho que é o destino. Fico muito feliz de estar participando de tudo isso.
Aprendizados em ciclo turbulento
– Zerar nunca zera. Você leva essa bagagem consigo e tem certeza que não quer revivê-las. Os momentos de dificuldade… Faz uma casca muito maior. Faz com que a gente lembre, mas não queira revivê-las. Marcar o nome na história é o que a gente mais quer.
Lesão de Neymar
– Não só o Neymar, mas qualquer jogador que passa por um momento de lesão é triste. É um momento que ninguém quer passar. A lesão dele é claramente uma lesão que vai dar pra chegar bem no nosso objetivo. Isso é o mais importante
Quarteto ofensivo e ausência do Estêvão
– Nos períodos que tivemos a oportunidade, é gratificante saber que foi bem aproveitado, não só nós quatro, mas outros atacantes quando entraram também conseguiram se adaptar às funções que o Ancelotti pede. Infelizmente aconteceu algo muito triste (Estevão fora). A gente sente os sentimentos ruins que o impedem de realizar um sonho. Independente de quem começar jogando, vão ter tranquilidade e qualidade para exercer a função da melhor maneira possível. O Rayanzinho está aqui do lado, tem outros mais novos. Jogo contra ele várias vezes e exerce uma função importante, um jogador importante, assim como outros. Depende do mister, de quem ele quer que exerça a função naquele momento. Todos estarão preparados.
Trajetória até a Copa
– Sinceramente, existem dois Matheus. Aquela criança que não tem muita noção das consequências e só sonha. E nesses momentos todos os sonhos são fáceis de realizar e quando você vai tendo noção da dificuldade… E estar passando todos eles, conquistar o ouro olímpico, em uma Copa do Mundo e, se Deus quiser, realizar esse maior sonho do jogador de futebol. Ter um ouro olímpico e um troféu de campeão do mundo… Não tem muito mais que eu possa pedir a Deus, não. Vai ser mentira se eu dizer que era fácil lembrar disso. Depois que eu comecei a entender, comecei a duvidar do quão longe eu poderia chegar. Acho que o trabalho paga, foco, palavras positivas para que você possa construir o seu castelo. É algo que é prazeroso estar alcançando.
– Apesar de todos os lugares que eu passei a dificuldade é muito presente. Superar é o maior segredo que eu possa ter comigo. Nesse momento é que tudo vale a pena. Ter orgulho de chegar onde cheguei, que eu sei que não foi fácil, mas é realizador
Trabalho com Ancelotti e Rodrigo Caetano
– É um prazer trabalho com os melhores, pessoas com experiências podem transmitir para você, ajudar com algo tão grande. Essas pessoas com tanta experiência e tanta vivência dentro do futebol são essenciais para esses momentos. Estar junto com a gente para realizarmos junto com eles os nosso objetivos. Ter alegria e dar alegria a todo mundo.
Sistema de jogo
– Acho que hoje, sinceramente, essas questões táticas são ilusórias em muitos momentos. A gente começa jogando de uma forma, durante o jogo estamos acostumados a nos adaptar e mudar. No dia a dia, é muito claro estarmos marcando em um 4-4-2 e termos que nos adaptar porque o outro time, aos dez minutos de jogo, já mudou a formação. Automaticamente a gente também muda. É difícil responder qual a mais confortável. Em várias formações você desempenha a mesma função. No United, por exemplo, eu jogo mais pela esquerda, e no processo de criação eu venho por dentro ajudar o Bruno Fernandes. Me sinto bem e privilegiado por ser um jogador versátil, mas a melhor formação é estar jogando e estar adaptado a qualquer esquema para jogar
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Programação da seleção brasileira até a Copa do Mundo — Foto: Infoesporte





