Investigação da Polícia Federal aponta quatro núcleos que atuavam desde a coordenação até a compra de votos de eleitores. Prefeitura de Campo Grande ainda não se manifestou sobre operação que apura o esquema.
Por Loraine França, José Câmara, g1 MS — Mato Grosso do Sul
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Prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP) — Foto: PMCG/Divulgação
A Polícia Federal cumpriu sete mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira (19), em Campo Grande e Taquarussu, durante a operação Suffragium. A ação investiga um possível esquema de compra de votos na campanha de Adriane Lopes (PP) nas eleições de 2024. Segundo a PF, o grupo atuava com estrutura em formato de pirâmide e realizava a compra de votos de forma “sistemática”.
O g1 apurou que a prefeita Adriane Lopes não foi alvo dos mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira. A assessoria da prefeitura informou que acompanha a operação e que vai se manifestar após a conclusão das diligências.
- Núcleo de comando político (topo da pirâmide): seria formado por possíveis beneficiários políticos do esquema. Segundo a PF, esse grupo estaria no nível de direção da estrutura, mas ainda não há, até o momento, elementos individualizados que comprovem participação direta em pagamentos ou transferências investigadas;
- Núcleo de coordenação institucional e financeira: seria responsável pela organização e gestão dos recursos usados no esquema. A investigação aponta que esse grupo movimentava e distribuía os valores destinados à compra de votos, com mecanismos para dificultar o rastreamento do dinheiro;
- Núcleo de intermediadores operacionais: seria formado por pessoas responsáveis por repassar os recursos e conectar a área financeira aos executores da suposta compra de votos. Segundo a PF, esse grupo atuava na logística, pulverização de valores e transferências para diferentes destinatários;
- Núcleo de eleitores (base da pirâmide): formado pelos destinatários finais dos valores, que seriam os eleitores supostamente beneficiados com vantagens econômicas para influenciar o voto.
Segundo a PF, foram identificadas movimentações financeiras consideradas atípicas, como transferências sucessivas, fracionamento de valores via Pix e uso de contas de terceiros. As operações teriam ocorrido principalmente em períodos próximos aos turnos eleitorais. O suposto modo de atuação era o seguinte:
- Uso de contas de pessoas físicas, servidores públicos e empresas para movimentar recursos;
- Transferências sucessivas entre diferentes contas, dificultando a identificação da origem do dinheiro;
- Saques que indicariam retirada coordenada de valores;
- Pulverização de recursos por meio de múltiplas transferências via Pix;
- Fracionamento de valores para reduzir a visibilidade das operações;
- Concentração das movimentações nas vésperas do primeiro e segundo turnos das eleições de 2024;
- Uso de contas de passagem para receber e redistribuir recursos aos executores do esquema.
Operação Suffragium
Segundo a Polícia Federal, as investigações identificaram movimentações financeiras consideradas incomuns. Entre elas estão saques em dinheiro, transferências fracionadas via Pix e o uso de contas de terceiros para movimentação e distribuição de recursos em períodos próximos aos dois turnos das eleições. Conforme a PF, os indícios podem estar relacionados à prática de compra de votos.
Votos nas eleições de 2024
Adriane Lopes foi reeleita prefeita de Campo Grande em 2024 com 51,45% dos votos válidos, o que representa 222.699 votos. Ela venceu no segundo turno Rose Modesto (União Brasil), que teve 210.112 votos, equivalente a 48,55%.
- No primeiro turno, pesquisas indicavam Adriane Lopes em terceiro lugar. No entanto, ela terminou na liderança da etapa inicial com 140.913 votos válidos (31,67%). Rose Modesto ficou em segundo, com 131.525 votos (29,6%). Em seguida aparecem Beto Pereira (PSDB), com 115.516 votos (25,96%), e Camila Jara (PT), com 41.966 votos (9,43%).






