Órgão decide abrir procedimento para analisar possível conflito em negociação com o grupo de Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, e impõe medidas cautelares ao clube carioca
Por Leonardo Lourenço — São Paulo
A agência, responsável por fiscalizar a aplicação das regras de Fair Play Financeiro no Brasil, também impôs medidas cautelares que ficam em vigor durante essa análise: o Vasco está proibido de manter relações comerciais com o Palmeiras e com a Crefipar, o conglomerado financeiro de Leila Pereira que inclui a financeira Crefisa.
O Vasco, por exemplo, não poderá negociar atletas ou dividir estrutura com o clube paulista, nem tomar empréstimos da Crefisa, como ocorreu em 2025.
O procedimento de investigação foi instaurado na quarta-feira, após diligência da unidade técnica da Anresf iniciada em junho. A decisão é da Segunda Turma de Julgamento e se baseia em elementos apurados em documentos compartilhados pelo Vasco sobre a proposta de investimento assinada com Lamacchia.
A intenção é aprofundar a análise do caso, que corre risco de esbarrar no regulamento de Fair Play da CBF. As regras vetam que um mesmo grupo exerça algum tipo de controle sobre duas equipes – a agência vai investigar se existe essa relação no caso de Lamacchia, enteado de Leila, comprar o Vasco.
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Marcos Lamacchia (no canto direito) posa para foto com Leila Pereira no estádio do Palmeiras — Foto: Reprodução/ge TV
O artigo 86 do regulamento da Anresf proíbe que “qualquer pessoa, física ou jurídica, detenha, direta ou indiretamente, controle ou influência significativa sobre mais de um clube”.
Marcos é filho de José Lamacchia, que por sua vez é casado com Leila Pereira, que tem mandato no Palmeiras até o fim de 2027. Leila também é presidente da Crefisa.
No último domingo, quando o Palmeiras enfrentou o Vasco no Nubank Parque pelo Campeonato Brasileiro, Leila esteve com Marcos Lamacchia no gramado do estádio, onde posaram para fotos com as camisas dos dois clubes.
Por ora, a Anresf ainda não analisou o mérito da disputa – se há, de fato, conflito em razão do parentesco entre a presidente do Palmeiras e o interessado em assumir o comando do Vasco. Isso será feito no procedimento aberto nesta quarta-feira.
Mas foi essa possibilidade que levou a agência a determinar as medidas cautelares. O argumento é de que é preciso evitar, antes do fim da avaliação, eventuais decisões que provoquem interferências esportivas que não poderão ser revertidas.
A decisão impede que Vasco e Palmeiras negociem atletas, mesmo sem custo, façam operações financeiras, usem estruturas comuns, como centros de treinamento, ou compartilhem profissionais e informações sensíveis.
A restrição vale também para relações entre o Vasco e a Crefisa que, no ano passado, emprestou R$ 80 milhões ao clube e figura como garantidora no acordo de investimento entre o clube e Lamacchia.
Em julho deste ano, o advogado André Sica, que representa Marcos Lamacchia na operação de compra da SAF do Vasco, afirmou ao ge que já estava em contato com a Anresf. Na ocasião, Sica assegurou que a operação será concluída mesmo com ressalvas da Anresf.
O Vasco foi notificado da abertura do procedimento pela Anresf na noite de quarta, assim como o Palmeiras, a Almirante Participações (empresa investidora de Lamacchia) e a Crefipar, que não são parte do procedimento, mas que poderão se manifestar, se desejarem.





