Limite de clubes por país, imposto pela Fifa, deu vaga a times de menor tradição internacional
Por Redação do ge — Miami, EUA
Alguns dos grandes times europeus da atualidade têm na edição inaugural da Copa do Mundo de Clubes a chance de aumentar ainda mais seu prestígio internacional. Equipes acostumadas a jogar a badalada Liga dos Campeões da Uefa, como Real Madrid, Manchester City, Chelsea, Bayern de Munique e o atual campeão Paris Saint-Germain, estão entre as favoritas ao título.
Mas outros dois gigantes do Velho Continente, Liverpool e Barcelona, estão fora da competição, enquanto times que há anos não fazem grandes campanhas em torneios europeus, como os portugueses Porto e Benfica, estão classificados. Além da maior surpresa entre os 12 representantes da Uefa, o Red Bull Salzburg, que nunca conquistou um título internacional.
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Lamine Yamal, joia do Barcelona — Foto: REUTERS/Albert Gea
O que explica, então, a presença do time austríaco na Copa do Mundo de Clubes e a ausência do Liverpool, atual campeão inglês, e do Barcelona, campeão espanhol e semifinalista da última Champions League? O motivo é o limite de times por país, imposto pela Fifa no regulamento da competição.
Nenhuma federação nacional poderia classificar mais de dois representantes na Copa do Mundo de Clubes, a não ser que fossem campeões continentais nos últimos quatro anos. É por isso, por exemplo, que o Brasil conta com quatro times na competição, todos vencedores da Copa Libertadores no período de classificação à Copa de Clubes: Palmeiras (2021), Flamengo (2022), Fluminense (2023) e Botafogo (2024).
O México também iria “furar a cota”, com três campeões da Champions League da Concacaf: Monterrey (2021), León (2023) e Pachuca (2024). Os dois últimos, porém, têm o mesmo proprietário, o que fere outro item do regulamento da Copa do Mundo de Clubes. O León acabou excluído da competição, e para substituí-lo a Fifa acabou criando uma exceção na cota de países: o Los Angeles FC derrotou o América do México em um playoff e ganhou a terceira vaga dos Estados Unidos, junto com Seattle Sounders (campeão da Concacaf em 2022) e Inter Miami (representante do país anfitrião).
Rivais ingleses “barram” Liverpool
No caso da Europa, três times ganharam a Champions League no último quadriênio: Chelsea (2021), Manchester City (2023) e Real Madrid (2022 e 2024). Os outros classificados saíram, de acordo com o regulamento, do ranking da Uefa. E foi a aplicação do limite das vagas que catapultou o RB Salzburg da 18ª colocação no ranking para se juntar aos badalados participantes do torneio. Liverpool (oitavo do ranking), RB Leipzig (11º) e Barcelona (12º) foram as vítimas da cota de dois times por país.
O Liverpool foi colocado para fora da Copa de Clubes pelos seus rivais domésticos. Com as conquistas recentes da Champions, Chelsea e City “fecharam as portas” para os demais times ingleses.
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Darwin Nuñez lamenta derrota em Liverpool x Atalanta — Foto: Richard Sellers/Sportsphoto/Allstar via Getty Images
Com bons resultados recentes, o alemão RB Leipzig tinha uma surpreendente boa colocação no ranking, mas a cota da Alemanha já estava preenchida pelos tradicionais Bayern de Munique (3º) e Borussia Dortmund (6º).
O caso do Barcelona foi mais dramático. O time catalão passou a temporada 2023/24 brigando ponto a ponto com o Atlético de Madrid pela segunda vaga espanhola no ranking da Uefa – a primeira vaga já tinha dono desde a conquista da Champions League de 2022.
Para superar o Atlético, o Barcelona precisava terminar à frente do rival na Champions League. E o time de Diego Simeone até deu chance aos catalães, ao cair nas quartas de final para o Borussia Dortmund. Mas o Barça não aproveitou: foi eliminado na mesma fase, pelo Paris Saint-Germain. Resultado: Atlético classificado para a Copa do Mundo de Clubes, em décimo no ranking da Uefa, e Barcelona, 12º, fora da competição.
RB Salzburg supera Ajax por um ponto
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Dorgeles Nene comemora gol pelo RB Salzburg — Foto: Hans Peter Lottermoser/SEPA.Media /Getty Images
A cota de países ajudou também o Benfica, 13º no ranking, a entrar na competição. O Porto se classificou com a nona posição entre os times europeus.
Juventus, em 14º, ficou com a “penúltima” vaga da Uefa, se juntando à Inter de Milão (sétima colocada) como representantes da Itália. A partir daí, o limite de países entrou em cena para eliminar Napoli (15º), Sevilla (16º) e Milan (17º), dando de bandeja a classificação para o RB Salzburg.
O time austríaco superou o tetracampeão europeu Ajax por um ponto no ranking da Uefa. E nem precisou de grandes resultados para isso. Em três temporadas seguidas, os dois times tiveram a mesma campanha na Champions League: caíram nas oitavas de final em 2021/22 e foram eliminados na fase de grupos em 2020/21 e 2022/23. A última temporada foi decisiva: o RB Salzburg também parou na primeira fase, mas o Ajax sequer se classificou para a Champions.





