Primeiro tempo começou com falhas na marcação e gol anulado de Praxedes, mas Alvinegro recobrou atenção. Danilo entrou, mudou o jogo e Savarino encaminhou classificação com gol
Por Bárbara Mendonça — Bragança Paulista, SP
O Botafogo está nas quartas de final da Copa do Brasil depois de oito anos. Nesta quarta-feira, em Bragança Paulista, o clube voltou a vencer o Bragantino – desta vez por 1 a 0, com gol de Savarino – e deu fim à seca que perdurava desde 2017. O Alvinegro começou desatento, mas as circunstâncias do jogo e o brilho de um jogador permitiram uma classificação com o regulamento debaixo do braço.
Sem Kaio Pantaleão, com problema médico na coxa direita, Davide Ancelotti escalou o canhoto David Ricardo e o manteve pela esquerda; Barboza ficou pelo lado direito. Além disso, houve o desfalque do goleiro John, em negociações com o West Ham, da Inglaterra.
As mudanças inesperadas ficaram concentradas no ataque: Nathan Fernandes, Santi Rodríguez e Joaquín Correa começaram jogando. A escalação inicial do Botafogo teve Léo Linck; Vitinho, Barboza, David Ricardo e Alex Telles; Newton e Marlon Freitas; Nathan Fernandes, Savarino e Santi Rodríguez; Joaquín Correa.
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Léo Linck em Bragantino x Botafogo pela Copa do Brasil 2025 — Foto: Anderson Romão/AGIF
Os primeiros minutos de jogo do Botafogo se distinguiram por problemas na marcação. Não à toa, Léo Linck teve chute de Jhon Jhon passando próximo à sua trave. Quatro minutos depois, David Ricardo falhou ao ver Praxedes armar o chute e deixou o volante soltar o pé. O goleiro do Botafogo teve pouca culpa no golaço, mas o lance por fim acabou anulado por impedimento.
Foi o suficiente para que o Botafogo recobrasse parte da atenção. Mesmo assim, o primeiro tempo não teve grandes oportunidades de gol, ficando mais travado em disputas no meio-campo – Newton foi um bom nome neste cenário em mais uma etapa de sua curva de evolução com Davide. Santi por vezes não se entendeu com Savarino e, nas oportunidades pelos lados, principalmente pelo lado direito, nem sempre havia alguém na área para aproveitar.
A segunda etapa começou tensa, mas não por lances de perigo contra Léo Linck, e sim por um feio choque de cabeças entre Marlon Freitas e Laquintana. O volante do Botafogo caiu desacordado e deixou o gramado, já consciente, de ambulância. Em nota, o Alvinegro citou que não foram detectadas “alterações agudas” em exames, mas não há prazo para retorno aos gramados.
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Marlon Freitas desacordado após choque de cabeça em Bragantino x Botafogo, pela Copa do Brasil 2025 — Foto: Joisel Amaral/AGIF
A situação forçou uma modificação que mudou o jogo: a entrada de Danilo. Reforço mais caro da história do Botafogo, o volante precisou de pouquíssimo tempo em campo para achar uma assistência de manual. Em seu primeiro lance no jogo, recuperou bola pelo meio após tentativa de Sasha, carregou e deu passe milimétrico para Savarino, que entrava na área pela direita.
O venezuelano não marcava desde 26 de abril, contra o Fluminense. De lá para cá, Savarino oscilou aos montes, foi homenageado pela torcida, admitiu que teve chance de se transferir para o Lyon. Contra o Bragantino, entretanto, retomou o protagonismo que tanto teve em 2024 para encaminhar a classificação, se redimindo por um primeiro tempo bem abaixo.
Se a vantagem do Botafogo já era boa antes, o gol jogou um balde de água fria sobre o Bragantino. Mas a situação ainda ficou mais fácil para os cariocas pela vantagem numérica: primeiro, Nathan Mendes foi expulso por falta em Santi, aos 26; depois, aos 34, Athyrson levou o vermelho direto por falta em Correa.
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Savarino e Danilo – Bragantino x Botafogo – Copa do Brasil — Foto: Anderson Romão/AGIF
Davide Ancelotti aproveitou para rodar ainda mais o time e dar os primeiros minutos a quem ainda não tinha estreado sob seu comando. Marçal, Mastriani… Até Huguinho, jovem promessa do sub-20, pôde fazer seu primeiro jogo como profissional. O treinador italiano só não utilizou Jeffinho, relacionado pela primeira vez desde que passou por artroscopia no joelho, em junho.
— Acontece para ganhar o jogo. Vou fazer sempre a escalação para ganhar o próximo jogo. Acho que nesse jogo precisava de um pouco menos de domínio de bola, mas sim atacar nas costas deles. E por essa razão, jogamos sem um 9. Acho que Savarino fez o trabalho muito bem. Dar descanso aos jogadores que podem estar cansados e jogadores que vamos precisar nos próximos jogos é muito importante para o Botafogo.
O jogo no estádio Cícero de Souza Marques terminou sob ritmo de “pelada”. E não há demérito nisso: o Botafogo fez por onde na hora de construir a vantagem na ida e soube aproveitar as circunstâncias do jogo em Bragança. Para a torcida que gritou “olé”, mesmo após um início desatento, a memória da noite será o avanço às quartas da Copa do Brasil. No fim das contas, a classificação é o que fica.
O Botafogo volta a campo neste sábado para enfrentar o Fortaleza, em reencontro com o ex-técnico Renato Paiva. A partida é válida pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro.





