Investigação do Gaeco aponta fraudes em contratos para compra de livros, corrupção e lavagem de dinheiro. Grupo também é suspeito de interferir na liberação de exames, cirurgias e leitos na saúde pública.
Por Nadine Lopes, g1 MS
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Operação foi realizada nesta terça-feira (7). — Foto: Gaeco/MPMS
O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (Gaeco/MPMS) cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 43 mandados de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (7). A operação “Gutenberg” foi realizada em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho, Porto Murtinho, São Paulo (SP) e Abadiânia (GO).
Segundo o Ministério Público, a investigação identificou uma organização criminosa que atuava em crimes contra a administração pública, como fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros delitos. O grupo teria base em Campo Grande e atuação em diversos municípios de Mato Grosso do Sul, com empresários apontados como responsáveis por coordenar o esquema.
Conforme apuração da TV Morena, o principal alvo da operação em Campo Grande é o servidor da área de regulação da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Ed Carlos Burgatti. Até a última atualização desta reportagem, o g1 não havia localizado a defesa dele. O g1 também procurou a SES, mas não obteve retorno.
Esquema movimentou mais de R$ 27 milhões
De acordo com a investigação, o grupo contava com a participação de servidores públicos para fraudar e direcionar compras públicas por meio da contratação direta, sem licitação, para a aquisição de livros paradidáticos.
Ainda segundo o MPMS, os contratos investigados somam mais de R$ 27 milhões em recursos públicos. O dinheiro, conforme a apuração, era distribuído entre integrantes da organização, servidores envolvidos e pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos valores.
As investigações também apontam que servidores da área da saúde teriam condicionado a autorização de exames, cirurgias e vagas em hospitais da rede estadual à compra de livros comercializados pelo grupo.
Segundo o Ministério Público, a organização continuava em atividade e mantinha contratos ativos em vários municípios.
A operação contou com apoio do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais (Bope).
O nome da operação, “Gutenberg”, faz referência a Johannes Gutenberg, responsável pela popularização da impressão de livros. De acordo com o MPMS, a escolha faz alusão ao uso dos livros como instrumento para dar aparência de legalidade ao esquema investigado.





