Clube viveu semanas de mudança no ambiente, tensões e fortalecimento do grupo para passar do Cruzeiro e seguir às quartas de final
Por Luiza Sá, Marcello Neves e Thiago Lima — Rio de Janeiro
É comum a brincadeira com um interruptor no Flamengo que leva o clima do “crise na Gávea” ao “rumo a Tóquio” em pouco tempo. As oitavas de final da Libertadores resumem bem como esse ambiente funciona. Se entrou extremamente pressionado não só pelas atuações ruins no pós-Copa como pelo dia a dia turbulento, o time avança às quartas da Libertadores colhendo os frutos de ter acalmado os bastidores nas últimas semanas.
A postura da equipe em campo traduziu o que todas as partes tentaram pregar ao longo dos últimos dias. Elenco e comissão técnica iniciaram o duelo ainda em Belo Horizonte em fase de pressão por respostas, movimentos bruscos da diretoria na janela de transferências e questionamentos sobre o modelo de jogo. As boas atuações e um ambiente mais controlado ajudaram na conclusão do objetivo que mantém a equipe viva no torneio.
— A mentalidade do grupo, de se fechar e focar no que tinha que ser feito, foi determinante. A energia que a gente veio para os jogos, principalmente nos de mata-mata, mas também nos jogos contra o Vitória aqui em casa e contra o Mirassol. Focar e correr todo mundo junto. Acho que nos juntando, como unidade, defendendo os 11, atacando os 11, fazendo o que a gente sabe, é muito difícil de vencer o nosso time. Foi essa mentalidade de se fechar e saber que agora é um momento muito crucial de muitas decisões, não só no mata-mata, mas também no Campeonato Brasileiro. Nosso time cresce muito nesse momento e sabe lidar com esses jogos. Não tem brecha para baixar pela margem de erro – avaliou Léo Ortiz.
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Flamengo v Cruzeiro — Foto: Ricardo Moraes / Reuters
Diversas vertentes do Flamengo entenderam que era preciso se fechar às vésperas da Libertadores. A exposição passava por vários elementos, mas principalmente os fracassos na janela de transferências com os insucessos nas tentativas de contratalções de Thiago Almada e Luiz Henrique. A diretoria, que disse ter reforços encaminhados ainda antes do fim da Copa do Mundo e que garantiu que não faria contratações expressivas, mudou de rota e apostou alto, mas não teve êxito.
No processo de negociações, as conversas viraram novelas e expuseram fragilidades. Se o objetivo era uma conclusão rápida para ter reforços já nas oitavas de final, o que se viu foram questionamentos fortes em todos os envolvidos e uma avaliação de que o processo causou uma pressão desnecessária, já que o elenco é considerado bom. Houve incômodo também com os frequentes vazamentos de informações e entrevistas que acabaram prejudicando mais do que ajudando. Os pedidos públicos de Jardim por reforços também caíram mal.
As movimentações, inclusive com o conhecimento de que os dois alvos chegariam com altos salários, também levantaram questionamentos de atletas que têm contrato acabando no próximo ano e aguardam conversas por renovações. Além disso, outros tiveram uma valorização salarial prometida e continuam esperando que se concretize.
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Leonardo Jardim e José Boto conversam no Flamengo — Foto: Gilvan de Souza / Flamengo
Ambiente
No meio dos desgastes, ainda houve fatores do dia a dia. Os jogadores se cobraram entre eles, especialmente no período de 10 dias sem jogos, e tentaram minimizar as divergências com Jardim sobre modelo de jogo e treinamentos. Houve uma conversa com o português sobre a filosofia em uma tentativa de melhor adaptação ao modo como o elenco se sente mais confortável.
Leonardo Jardim também se viu no meio de um fogo cruzado com o departamento médico. As partes ainda têm atrito, mas houve a tentativa de falar menos no meio desse processo. Os setores estão em rota de colisão há algum tempo, com ruídos e cobranças públicas do treinador português.
A classificação às quartas fará o Flamengo retomar as forças na janela, mas o clube tem pouco tempo. Agora, o objetivo será atacar o mercado de maneira mais certeira e com nomes talvez menos conhecidos. O clube continua em busca de um centroavante, um meia e um ponta, todos pedidos por Jardim.





