O grupo é suspeito de movimentar cerca de R$ 27 milhões com esquema para influenciar gestores municipais durante negociações de contratos para compra de livros.
Por Mirian Machado, g1 MS e TV Morena — Mato Grosso do Sul
A Justiça de Mato Grosso do Sul aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e tornou réus os 17 investigados na Operação Gutenberg. A decisão marca uma nova etapa da investigação, que apura um suposto esquema de fraudes na venda de livros paradidáticos para prefeituras do Estado.
Segundo o MPMS, o grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa que teria movimentado cerca de R$ 27 milhões. De acordo com a investigação, o esquema usava a estrutura da regulação da saúde pública para influenciar gestores municipais durante negociações de contratos para compra de livros.
Com o recebimento da denúncia, todos os investigados passam a responder formalmente a uma ação penal. Nesta fase, eles terão direito à ampla defesa e ao contraditório, enquanto a Justiça analisa as provas apresentadas pelo Ministério Público.
➡️ Segundo o Ministério Público, vagas em hospitais e a realização de cirurgias eram condicionadas à compra de livros da Editora Avante. Conforme a investigação, os suspeitos usavam regulação de vagas, exames e cirurgias do Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso do Sul para pressionar prefeitos a comprar livros da empresa investigada. A operação indicou que acesso aos serviços de saúde era usado como “moeda de troca” nas negociações.
Operação Gutenberg
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Da direita para a esquerda Gabriel Taquino de Paula , Paulo e Douglas de Melo, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, na fileira de cima. Ed Carlo Britto Burgatt, Olívia Jafar e Rossana Paroschi Jafar na fileira de baixo. — Foto: Redes Sociais
Na denúncia, o Ministério Público aponta que servidores públicos e empresários teriam atuado em conjunto para favorecer empresas nas contratações. A investigação também apura o suposto uso da regulação de vagas e atendimentos na saúde como forma de pressionar ou influenciar prefeitos e gestores municipais durante as negociações.
Os réus negam as irregularidades ou terão oportunidade de apresentar defesa ao longo da ação penal. O processo seguirá com a produção de provas, depoimentos e demais etapas previstas pela Justiça antes de uma eventual sentença.
Segundo o MPMS, a empresária Rossana Jafar é apontada como uma das chefes do esquema e a verdadeira proprietária da Editora Avante, empresa que, segundo a investigação, foi beneficiada pelas supostas fraudes. Ela foi presa durante a operação junto com os três filhos, Olívia, Felipe e Giovanni.
As investigações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo o órgão, a Coordenadoria de Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) teria sido usada para pressionar prefeitos a fechar contratos com a editora.
As defesas dos envolvidos negam qualquer irregularidade e afirmam que não houve fraude nas contratações investigadas.
Crimes que os denunciados devem responder:
- Rossana Paroschi Jafar — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
- Rhayane Souza Fanaia — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Giovanni Paroschi Jafar — organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Olívia Paroschi Jafar — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Felipe Paroschi Jafar — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Heyder Bartz — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
- Francisco Anízio dos Santos — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
- Ed Carlo Britto Burgatt — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
- Jessyca Duarte Burgatt — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
- Gabriel Taquino de Paula — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
- Paulo Rogério de Melo — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Douglas Henrique Melo — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Matheus Oliveira Peixoto — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Joatan Gomes Peixoto — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Valesca Thais Albuquerque Teixeira — organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- 🔎 O grupo é apontado como uma sucessão familiar do esquema investigado anteriormente na Operação Lama Asfáltica, mantendo modelos similares de atuação sob o comando de Rossana Paroschi Jafar.






